16 de outubro de 2008

Porto Alegre x Caçapava

Esses dias minha amiga me deu um toque, e disse que as paginas do meu livro andavam muito abertas, e eu concordei, minha vida anda aberta demais, todo mundo sabe o que eu faço, o que eu deixo de fazer, tudo, isso ta se tornando perigoso, quando eu vejo, pessoas que eu mal conheço chegam achando que podem se meter na minha vida, como se me conhecem a tanto tempo que já tornaram intimas, e isso se torna chato pra mim, porque eu odeio ser antipática, e ai de certa forma eu permito que isso aconteça, sem interromper a pessoa que do nada começa a dar palpites na minha vida, comentar que eu não devia ter ficado com o fulano, que eu devia ter usado tal roupa, e não aquela que eu usei, enfim um saco...

O problema de cidade pequena é esse, muita gente me conhece, nem que seja de nome, eu ando na rua e quando eu vejo pessoas estranhas me dão oi e comentam minha vida toda em segundos, isso pra mim é estranho, em porto alegre as pessoas na rua mal me olhavam e quando me olhavam não me paravam para relatar minha vida, o prefeito não andava na rua, e se andasse não me daria um oi, ou um bom dia.

Meus vizinhos mal sabiam meu nome, o meu telefone não estava vulnerável num guia, no colégio, ninguém tinha sido aluno da minha vó, a diretora não fazia idéia de quem eu era, e da minha vida só sabia o que tinha escrito na minha matricula, não era amiga da minha vó, pra dizer quem eu era, não era só dizer, sou neta do fulano, filha do fulano, não era assim, era bem mais complicado, na academia ninguém fazia idéia de quem eu era, e minha vó nem pensava em fazer academia comigo, vender rifa na rua, era impraticável, pagar mico, era algo simples, ninguém me conhecia mesmo, dar voltinha no centro de noite, chegava ate a ser estranho, falar no celular na rua, hilário, usar jóias por ai então, nem se comenta.

Nenhuma professora era tia da minha colega, mãe da amiga da minha prima, que é colega do primo da minha prima que é minha colega, que é muito amiga da filha do ex-aluno da minha vó.

O professor de geografia nunca tinha ouvido falar da minha vó, e muito menos me conhecido quase bebê, a professora de ciências mal sabia meu nome e muito menos era amiga da minha vó.

Para falar com a minha vó no colégio, era necessário no mínimo um celular, e não subir ou descer um lance de escada, a educação física era uma coisa que eu gostava de fazer, dentro de um ginásio, apenas com a minha turma fazendo e não com outra, eu não andava com as meninas de outras turmas...

Era tudo tão diferente, tudo tão chato, não sei como eu agüentei tanto tempo lá.

3 comentários:

Julia disse...

Isa, você escreve muuuuito bem mesmo! :)
Parabéns, adoro suas histórias! :D

... disse...

é sério, muchas gracias!! eu tava mesmo precisando de um empurrãozinho pro meu blog!!

by Be :D

Renata Miranda Ragagnin disse...

Isa!!! Tá arrasando hein? Eu que morei em POA 4 aninhos só, posso afirmar que estás certa. Mas quando eu me aposentar queria voltar pra lá kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Lá é bom quando já estamos ricas para gastar todo o dinheiro nos shoppings e cinemas. Senão é horrível! kkkkkkkkkkkkk Bom mesmo é passear e curtir o pôr-do-sol no Guaíba.